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A economia real voltou à moda – e inspirou documentário de Rodrigo Dantas

Redação Recifes
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A economia real voltou à moda – e inspirou documentário de Rodrigo Dantas

Empreendedor e investidor conhecido no mercado de Software as a Service (SaaS) e fintechs, Rodrigo Dantas está um pouco cansado do mundo virtual. Em 2023, ele comprou uma fazenda em Espírito Santo do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, onde agora vai começar a colher a sua primeira safra de café. A economia real tem ganhado cada vez mais a atenção do empresário, que decidiu produzir até mesmo um documentário sobre o assunto.

A obra audiovisual Quatro histórias foi lançada na semana passada e acompanha a rotina de quatro negócios: um alfaiate, uma empresa de bebidas não alcoólicas para adultos, uma clínica de inserção de DIU e uma padaria artesanal.

Entre eles, apenas um é investido de Dantas, a marca Kiro, de bebidas, que levantou de R$ 3 milhões em 2025 para acelerar sua expansão.

“Acho que esse movimento do feito à mão vai acontecer de forma mais radical daqui para frente, porque o pessoal está cansado de celular, Instagram, mobile. Posso estar tendo uma visão muito particular aqui, mas acho que as experiências vão ser mais ricas agora e melhor aproveitadas, porque as coisas estão muito plásticas. E a IA tende a piorar essa situação, pelo menos no curto prazo”, conta ele, em entrevista ao Startups.

Inclusive, Rodrigo Dantas também é co-fundador do Startups, ao lado de Gustavo Brigatto. Durante a entrevista, ele faz um paralelo entre este negócio e as histórias contadas no documentário, em que as empresas estão muito ligadas à figura de seus próprios fundadores.

“Economia real tem muito disso, né? Você vai num restaurante estrelado, como o D.O.M., do Alex Atala, a sua cabeça te engana achando que é o próprio Alex Atala que está fazendo o prato para você. Esses negócios que a gente convidou para participar se parecem muito nisso, o dono é a figura. E o Startups, apesar de ser digital, apesar de navegar muito em inovação, é economia real”, observa.

O jornalismo, segundo Dantas, é um dos setores em que a economia real ainda tende a superar a inteligência artificial.

“Com a IA, o jornalismo está meio banalizado. Todo mundo conta história hoje e é tão difícil você pegar um conteúdo e ler de cabo a rabo. Por isso o que o Startups faz tem tanto valor”, complementa.

Tecnologia também está no mundo real

Apesar da guinada para a economia real, Dantas não deixou de lado a tecnologia. Ele continua como conselheiro de empresas como a Malga, de infraestrutura financeira e orquestração de pagamentos, além de fundos como Crescera e Criatec 4.

Além disso, na própria fazenda, parte da produção foi estruturada com ferramentas de mapeamento, GPS e drones.

A escolha da variedade de café também levou em conta as inovações para acompanhar as mudanças climáticas. Segundo Dantas, o clima na microrregião de Espírito Santo do Pinhal subiu cerca de 2 graus Celsius em duas décadas, o que exigiu uma espécie de café que aguentasse o clima mais quente. A solução foi plantar uma variedade desenvolvida pela Fundação Procafé que se adapta melhor a esse cenário.

Para o investidor, o agro brasileiro já é bastante tecnológico. “Tem tecnologia de drone para fazer fertilização, tem tecnologia de predição climática”, cita ele.

Além disso, Dantas reflete que alguns aprendizados do mercado de tecnologia ajudaram a lidar com desafios que ele enfrenta hoje. “Assim como o software, não adianta você contratar 100 agricultores que o café não vai sair mais rápido, não vai sair melhor. Tem variáveis que você acaba não controlando, como clima, que têm muito a ver com o desenvolvimento do software”, afirma.

Mas se tem um ponto que o empreendedor deseja trazer do ecossistema de tecnologia para a economia real é a escala. No universo de SaaS, pensar em distribuição é parte central do negócio. Agora, o desafio é descobrir como aplicar essa experiência a produtos como café e bebidas.

“A economia real acaba não estudando muito distribuição de canal porque ela tem aquela cabeça: vou abrir um ponto físico, as pessoas vão chegar e vão comprar. Depois que ela se vê num desafio grande de competição e fluxo e venda. Então, eu sempre penso em como escalar esses investimentos”, explica.

Ativos reais para escapar do “Risco IA”

A mudança de Dantas para a economia real também está relacionada à forma como ele passou a enxergar o risco trazido pela inteligência artificial para empresas de tecnologia. Depois de anos investindo em startups, o empresário avalia que a velocidade de evolução da IA tornou mais evidente a possibilidade de uma inovação surgir e rapidamente ameaçar negócios digitais já estabelecidos.

“Eu não vi nada nos últimos três meses que não poderia ser morto por uma inovação saindo da garagem, sabe? Uma pessoa fazendo uma IA funcionar e matando o software que já tem cliente”, afirma.

Na visão do investidor, o cenário aumentou a importância de ter no portfólio ativos que não possam ser simplesmente substituídos por uma nova tecnologia. Foi a partir desse raciocínio que ele passou a olhar com mais atenção para imóveis e, principalmente, terras produtivas.

Para ele, a terra tem uma característica que falta a boa parte dos ativos digitais: é finita. O raciocínio é que, enquanto um software pode ser reproduzido, melhorado ou substituído, uma propriedade física não pode simplesmente ser criada por uma nova tecnologia.

“A terra é um ativo que o tempo, se você sentar nela, vai jogar a seu favor. Os grandes investidores do mundo, quando compram terras brasileiras, eles procuram essa tese, o solo produtivo e com muita água. Alguma razão tem”, aponta.

Menos mão na massa e mais mentor

A nova fase também mudou a forma como Dantas trabalha. Depois de deixar a posição de executivo, ele estabeleceu uma regra pessoal: não entraria em outro negócio para voltar a trabalhar 14 horas por dia.

Hoje, atua como conselheiro de cinco empresas e concentra sua atividade na administração do próprio portfólio de investimentos. A estratégia para ter participação em vários negócios de diferentes setores é encontrar pessoas capazes de tocar as operações no dia a dia.

Mais do que operador, Dantas se vê como mentor e provocador dos negócios.

E há uma característica que considera fundamental na hora de escolher com quem trabalhar: “Eu só trabalho com quem eu gosto. Eu acho que isso é uma coisa que eu aprendi ao longo do tempo, porque a pior coisa é você fazer reunião com quem você não gosta. Eu já tive pessoas que eu adorava que não deram certo, já investi em startups que não deram certo, mas a amizade continuou”.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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