Se você cresceu assistindo ao desenho animado Os Jetsons, provavelmente achava que a ideia de conviver com a robô Rosie, ter um pet mecânico em casa ou ver máquinas fazendo acrobacias pela sala era uma realidade muito distante. Pois bem: o futuro chegou, fala mandarim e acaba de dar um passo gigante rumo às bolsas de valores.
A Unitree, também conhecida como Yushu Technology, famosa fabricante chinesa de robôs humanoides e de quatro patas, definiu o preço de sua oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Valores de Xangai em 150,8 yuans (US$ 22,34) por ação. Com isso, a companhia alcançou uma avaliação de mercado de 61 bilhões de yuans (cerca de US$ 9,04 bilhões).
O movimento consagra a empresa como a primeira fabricante de robôs humanoides a ser listada no mercado acionário continental da China. As assinaturas para o IPO abrem no próximo dia 10 de agosto, no STAR Market de Xangai, o Nasdaq chinês.
E o apetite por esse futuro estilo Jetsons atraiu os maiores nomes da tecnologia local: a DeepSeek, gigante em ascensão da inteligência artificial (IA) na China, está entre os investidores estratégicos confirmados na operação.
Superando metas e arrecadando bilhões
A Unitree está vendendo 40,45 milhões de novas ações, o que corresponde a 10% do seu capital social ampliado. A meta é captar 6,1 bilhões de yuans com a oferta.
Os US$ 9,04 bilhões superaram o teto projetado anteriormente pelo mercado. Em setembro, estimativas reportadas pela Reuters indicavam que a empresa buscava uma até 50 bilhões de yuans (US$ 7,04 bilhões).
Segundo o prospecto divulgado pela companhia, o dinheiro novo no caixa tem destino certo: desenvolver novos softwares e hardwares para robótica, lançar novos produtos no mercado e construir uma nova base de manufatura para escala industrial.
Famosa na internet por seus robôs de quatro patas que protagonizam vídeos virais correndo, dançando e fazendo acrobacias, a Unitree passou por uma virada relevante no modelo de negócios.
Em 2025, a receita total da empresa mais que quadruplicou, atingindo 1,7 bilhão de yuans (US$ 251,8 milhões).
E a grande estrela da companhia mudou de figura: os robôs humanoides geraram 867,8 milhões de yuans (US$ 128,6 milhões) em vendas, ultrapassando os modelos quadrúpedes e se tornando o maior motor de faturamento da empresa.
Porém, nem tudo foi boa notícia no balanço do início de 2026. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento desacelerou: a receita subiu 68,5%, mas o lucro líquido ajustado caiu 52,6%.
A redução na lucratividade reflete um forte aumento nas despesas com pesquisa e desenvolvimento (P&D) e esforços de marketing para sustentar a expansão.
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O risco de perder a Rosie da China
Apesar do otimismo com a estreia na bolsa, a Unitree terá de navegar por águas conturbadas. O IPO acontece em meio à escalada das tensões comerciais e tecnológicas entre Washington e Pequim.
Os Estados Unidos têm endurecido as restrições ao acesso da China a mercados e componentes de ponta — incluindo barreiras diretas a robôs humanoides e de quatro patas estrangeiros —, enquanto Pequim responde com sanções e limites de exportação.
A exposição ao mercado norte-americano não é negligenciável: as vendas para os EUA representaram 13,3% da receita total da Unitree no ano passado.
A empresa garantiu que seus modelos atuais já possuem aprovação para serem vendidos em solo norte-americano. Contudo, fez um alerta explícito aos investidores no prospecto: futuros lançamentos podem ser proibidos de entrar nos EUA.
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