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Agent.Shop aposta em Result as a Service para fugir do “apocalipse”

Redação Recifes
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Agent.Shop aposta em Result as a Service para fugir do “apocalipse”

Em meio ao “SaaS Apocalypse”, que coloca em xeque o modelo de negócio das empresas de Software as a Service diante do avanço da inteligência artificial, a Agent.Shop quer ganhar conforme o resultado que gera para seus clientes no lugar de cobrar pelo acesso à tecnologia.

Esse novo modelo, chamado pela empresa de “Result as a Service”, substitui a mensalidade fixa por métricas como vendas realizadas, transações concluídas, tickets de suporte resolvidos e receita atribuída a ações de marketing. “A gente cobra pela execução”, resume Eduardo Petrelli, CEO e cofundador da Agent.Shop, em entrevista ao Startups.

Para o executivo, o próprio avanço dos agentes de IA altera a maneira como o software é utilizado e, consequentemente, como deveria ser cobrado. No modelo tradicional de SaaS, explica o executivo, a precificação foi construída em torno do humano que utiliza a ferramenta: são assentos, acessos, usuários e mensalidades.

Com agentes, essa lógica perde parte do sentido. Um agente não precisa necessariamente operar um software da mesma maneira que uma pessoa. Ele pode executar diretamente uma tarefa, como realizar uma venda, resolver um chamado ou processar uma solicitação. “Como que você vai ter assento se só agente resolve várias coisas?”, questiona Eduardo.

É por isso que a Agent.Shop decidiu atrelar sua receita à execução dessas tarefas. A empresa pode cobrar pela venda realizada, pelo ticket de suporte resolvido, pela transação ou pela receita atribuída a uma ação de marketing.

Uma aposta contra o SaaSpocalypse

A discussão sobre o modelo ganha espaço em um momento em que o mercado de software debate o chamado “SaaS Apocalypse” (ou SaaSpocalypse) — termo que surgiu nos últimos meses para descrever a possibilidade de que a inteligência artificial coloque pressão sobre empresas construídas em torno do modelo tradicional de software como serviço.

Na visão de Eduardo, muitas companhias de SaaS estão adicionando uma camada de IA aos produtos que já vendem, mas sem necessariamente mudar a lógica de monetização. A exemplo disso, o cofundador fala sobre uma suposta plataforma de atendimento, que poderia continuar cobrando uma mensalidade e acrescentar uma funcionalidade de IA que custa alguns reais por ticket resolvido. “Eles estariam lançando mais como funcionalidade do que novo modelo de precificação do negócio deles”, exemplifica.

Para o executivo, o próximo movimento será justamente repensar o modelo de negócio como um todo. “Quem conseguir olhar para o seu modelo de negócio e repensar toda a parte de custo, de pricing, do zero mesmo, em teoria, tem uma oportunidade para continuar”, afirma.

Na avaliação dele, empresas que tratarem a IA apenas como uma funcionalidade adicional podem enfrentar uma estrutura de custos mais pesada, enquanto negócios alinhados diretamente aos resultados dos clientes terão espaço para capturar uma parcela maior do mercado.

A Agent.Shop, portanto, tenta se posicionar desde o início dentro dessa nova lógica. Isso também significa dividir parte do risco com os clientes, já que, se uma operação de e-commerce tem um mês ruim, a receita da startup também tende a cair. No entanto, quando a plataforma gera mais vendas e resolve mais demandas, a Agent.Shop captura parte desse ganho.

O modelo também faz com que os principais custos da companhia sejam variáveis, segundo Eduardo. Entre eles estão gastos com tokens e infraestrutura. Assim, quando os agentes executam mais tarefas e geram mais resultado, a receita cresce junto com a utilização da infraestrutura.

A lógica, diz Eduardo, é semelhante à de negócios que tradicionalmente recebem uma comissão sobre a receita gerada por seus clientes, como gateways de pagamento. A diferença está em levar essa lógica para uma gama maior de atividades executadas por agentes.

De venda pelo WhatsApp a infraestrutura de agentes

Para entender a estratégia, é preciso voltar ao produto. A Agent.Shop nasceu no fim de 2025 olhando para uma mudança no comportamento de compra: a migração das interações entre consumidores e marcas para canais conversacionais, principalmente o WhatsApp.

A startup se define como um sistema operacional para o comércio baseado em agentes de IA. Isso porque sua infraestrutura conecta dados de estoque, inventário, pagamentos, logística e informações sobre a própria marca. Sobre essa base, a companhia oferece quatro frentes principais: Agent Store, Agent Marketing, Agent CX e GNO (Generative Agent Optimization).

O Agent Store permite que marcas realizem vendas de forma autônoma em canais conversacionais, como WhatsApp, Direct do Instagram e interfaces de agentes na web. O consumidor pode iniciar uma conversa, tirar dúvidas, consultar produtos, realizar o pagamento e concluir a compra sem precisar sair do canal.

Já o Agent Marketing usa agentes para criar jornadas de engajamento mais inteligentes, como recomendações de produtos, recuperação de carrinhos e estímulos de recompra. O Agent CX, por sua vez, atua no atendimento pós-venda, podendo rastrear pedidos, processar trocas e devoluções e executar outras tarefas diretamente nos sistemas da empresa.

O quarto produto, o GNO, mira uma transformação que ainda está começando: a forma como marcas aparecem em mecanismos de busca baseados em IA. A proposta é ajudar empresas a estruturar seus catálogos e sites para que sejam mais facilmente compreendidos e recomendados por plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity.

Hoje, o foco da Agent.Shop está em grandes empresas, como VAIO, Positivo, Heineken e Grupo Soma, além de outras companhias que ainda estavam em prova de conceito no momento da entrevista ao Startups.

Próxima etapa é escalar

A Agent.Shop levantou mais de R$ 5,5 milhões em um pré-Seed liderado pela Maya Capital, Caravela Capital e Mira Capital em 2025, e, segundo Eduardo, espera atingir o breakeven no fim de 2026. A companhia ainda tem caixa e não vê um risco imediato de capital, mas pretende voltar ao mercado para uma nova rodada de investimento entre o fim deste ano e o início de 2027, para financiar sua ambição de expansão global.

O momento, portanto, é de transição. A startup começou permitindo que marcas vendam e atendam consumidores por meio de agentes em canais como o WhatsApp, mas agora tenta construir uma tese maior: tornar-se uma infraestrutura sobre a qual o comércio mediado por IA possa funcionar.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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