Durante mais de uma década, Fernanda Fabris viveu a rotina de consultas, exames e tratamentos em busca de uma gravidez que não acontecia. Nesse período, ouviu explicações simplistas, enfrentou momentos de fragilidade emocional e carregou a cobrança de perguntas que cercam muitas mulheres: afinal, quando o bebê vai chegar?
A virada veio pela adoção. Hoje, aos 39 anos, ela é mãe de seis crianças e adolescentes, todos acolhidos por meio desse caminho. A maior parte deles chegou à família em idades em que, em geral, poucas pessoas se imaginam iniciando a maternidade, o que torna a experiência ainda mais desafiadora e, ao mesmo tempo, mais realista.
A história de Fernanda ajuda a desmontar uma ideia romantizada sobre adotar. O afeto é essencial, mas não resolve tudo sozinho. Crianças e jovens que passaram por rupturas, perdas ou longos períodos de espera precisam de previsibilidade, escuta, paciência e presença cotidiana para aprender a confiar de novo.
Mais do que uma narrativa sobre superação, o caso mostra que formar uma família pela adoção exige preparação emocional e compromisso. O vínculo não nasce pronto: ele é construído no convívio, no respeito ao tempo de cada um e na disposição para atravessar medos, inseguranças e adaptações até que a relação se fortaleça.
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