De Bjork a Cazuza, quando Clarice Lispector virou música. O mundo lusófono parou no domingo (9.08).
O que aconteceu
A escrita de Clarice Lispector atravessou (e construiu) pontes da MPB ao pop internacional, impactando processos criativos de artistas que marcaram gerações.
Foto: Reprodução “A Paixão Segundo G.H.” acompanha uma experiência-limite que começa dentro de um quarto e termina colocando em crise noções de humanidade, identidade e existência.
É o livro escolhido por Björk como ponto de partida para uma nova composição.
Por que importa
A pauta interessa a quem acompanha Viagem porque altera expectativas e decisões práticas.
Consequência prática
A conexão ainda está em processo: não se sabe como a narrativa aparecerá musicalmente, apenas que o romance está na origem da criação.
Maria Bethânia A escrita de Clarice Lispector atravessou (e construiu) pontes da MPB ao pop internacional, impactando processos criativos de artistas que marcaram gerações.
Foto: Reprodução Cazuza foi ainda mais direto.
Em um show de Angela Ro Ro, em 1988, anunciou ao público que Clarice Lispector era a pessoa que mais amava e apresentou como poesia aquilo que havia transformado em canção.
“Que o Deus Venha”, parceria com Frejat, adapta um trecho de “Água Viva”, livro no qual Clarice tenta escrever o instante enquanto ele acontece.
A faixa havia sido gravada pelo Barão Vermelho em “Declare Guerra”, de 1986, com Clarice creditada entre os autores.
Cássia Eller A escrita de Clarice Lispector atravessou (e construiu) pontes da MPB ao pop internacional, impactando processos criativos de artistas que marcaram gerações.
Foto: Reprodução Em “Penhasco”, Luísa Sonza recorreu a Clarice não por meio de um texto, mas pela imagem dela.
O lyric video da faixa, do álbum Doce 22 (2021), recria a última entrevista da escritora ao programa Panorama, da TV Cultura, em 1977.
Clarice aparece diante da câmera com pausas longas, desconforto visível e uma franqueza seca, exatamente o tom que Luiza buscava ao construir suas músicas daí para a frente.
Lorde Clarice chegou também ao pop contemporâneo.
Enquanto escrevia Virgin (2025), Lorde leu Annie Ernaux, Rachel Cusk e Lispector em busca de escritoras capazes de falar do corpo e de si mesmas com intensidade crua, sem polimento.
No álbum, que se debruça sobre identidade, carne e um autorretrato deliberadamente sem retoques, Clarice não foi citada, mas sim, usada como método de olhar para dentro e lidar com as fragilidades de forma sensivel.
Rosalia Em Lux (2025), Rosalía levou essa aproximação para dentro do processo criativo.
Dentre tantos outros temas, seu quarto álbum investiga majoritariamente o misticismo feminino a partir de referências que atravessam religiões, idiomas e séculos.
Clarice está entre as inspirações declaradas do projeto.
Escolha coerente para um disco que habita as tensões entre o corpo e o sagrado, territórios que a literatura clariceana percorreu sem jamais tentar resolvê-los.
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O caso ilustra como Viagem reage rápido a fatos concretos, não só a expectativas.