Eternit (ETER3), outra ‘queridinha de Luiz Barsi’, quer avançar além das telhas, mas mineração de amianto ainda é releva. Eternit foca em expansão para pisos e paredes, com crescimento forte em produtos de maior valor agregado, enquanto amianto ainda impacta receita e resultados.
O que aconteceu
A Eternit (ETER3), conhecida por fabricar telhas de fibrocimento e ter entre seus acionistas mais notórios o megainvestidor Luiz Barsi Filho, está investindo para estar presente não apenas nos telhados, mas também nos pisos e nas paredes das moradias.
Para além dos produtos commodity, a empresa tem investido também em placas e revestimentos para casas pré-fabricadas, itens de maior valor agregado.
Nos próximos cinco anos, esses novos produtos devem ser seu principal motor de crescimento, diz Rodrigo Angelo Inácio, CEO da companhia, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Por que importa
Os números em evidência (75,9%, 25,9%, 6,1%, 25,4%, 14,0%) ajudam a medir o impacto no dia a dia de empresas e leitores de Mercado financeiro e investimentos.
Consequência prática
A Eternit começou a investir nesse tipo de negócio há cerca de dois anos.
No segundo trimestre de 2026, a divisão registrou crescimento de 75,9% no lucro bruto, atingindo receita de R$ 16,7 milhões, em conjunto com coberturas, segundo os resultados divulgados hoje (11).
“O negócio de telhas sempre será relevante, mas vamos fazer nossos outros segmentos crescerem”, diz a CFO e diretora de relações com investidores, Carisa Portela Cristal.
"Foi um trimestre excelente para o nosso core e para o que a gente olha para o futuro, nossa estratégia de longo prazo, onde a gente quer estar posicionado", afirmou.
"Foi um trimestre excelente para o nosso core e para o que a gente olha para o futuro, nossa estratégia de longo prazo, onde a gente quer estar posicionado", afirmou.
Apesar desse avanço, a mineração de amianto do tipo crisotila, também usado na fabricação de telhas, ainda é relevante para a Eternit, com receitas de R$ 76 milhões, 25,9% das receitas totais da empresa.
O minério, considerado cancerígeno, é extraído exclusivamente para a exportação.
Mais que isso: a operação foi a responsável por derrubar os resultados no segundo trimestre do ano.
Segundo a CFO, os embarques de amianto crisotila caíram em março, embora já estejam se regularizando.
Além disso, pela valorização do real perante o dólar, a empresa teve uma perda de R$ 7 milhões apenas com o câmbio de exportação.
"Obviamente o crisotila ainda é um negócio importante dentro da companhia e permanece assim por um tempo, mas o core, o nosso negócio é focado no fibrocimento", afirmou a CFO.
Os resultados da Eternit A empresa reportou receita consolidada de R$ 293,6 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O segmento de Fibrocimento foi o principal vetor de crescimento da companhia, com receita líquida de R$ 210,1 milhões, expansão de 25,4% na base anual, e de 14,0% no volume de vendas.
O lucro bruto foi de R$ 53,85 milhões no segundo trimestre, queda de 25,4%.
Já a mineração de amianto crisotila teve receita líquida de R$ 76 milhões, comparado a R$ 109,0 milhões no 2T25, retração de 20,7%.
O lucro líquido foi de R$ 13,65 milhões, queda de 55,4% na comparação anual, mas com reversão do prejuízo do primeiro trimestre do ano.
Ao considerar todo o semestre, porém, a queda na última linha do balanço foi ainda maior, de quase 93%.
Hoje, a relação entre dívida líquida e Ebitda é de cerca de 2,96.
No segundo trimestre, a Eternit contabilizou um endividamento líquido de R$ 161,2 milhões, aumento de 29,27% na comparação com o trimestre anterior.
Os investidores da Eternit A empresa tem 18,8 mil investidores pessoas físicas, atraídos principalmente pelo pagamento recorrente de dividendos.
Um deles é Luiz Barsi Filho, investidor que ficou bilionário investindo em ações como pessoa física, com 5,02% de participação na empresa.
Entre as pessoas jurídicas, há 42 fundos, fundações e clubes de investimento, incluindo o D+1 Fundo de Investimento em Ações, do BTG Pactual, com 27,19% de participação.
Se a companhia conseguir realizar os planos de expansão em seus novos negócios, mais rentáveis, há espaço para aumentar o pagamento de dividendos nos próximos dois anos, diz o CEO.
Historicamente, ela costuma pagar o mínimo obrigatório, de 25% do lucro.
Nos últimos doze meses, a ação, negociada fora do Ibovespa, caiu 15,96% na bolsa.
Desde o começo de 2026, a queda é de 9,14%.
Construção industrializada Ainda que seja a principal aposta da companhia, a fatia da construção industrializada ainda é pequena no mercado.
Há quatro anos, era de 2%.
Em 2025, era de aproximadamente 8%, podendo dobrar até o fim de 2026.
Para a CFO, é uma evolução natural.
“O mercado precisa de um tempo de amadurecimento, há uma curva de aprendizado para esses materiais”, diz ela.
A Espaço Smart, empresa que tem mais de 50 lojas em todo o Brasil e trabalha no segmento de casas modulares e pré-fabricadas, é um dos clientes da Eternit.
A fabricante não abre as margens de cada um dos negócios — a venda em massa de telhas e a produção personalizada de placas e paredes — mas a CFO afirmou que o aumento da participação da construção industrializada fez a margem do segmento de fibrocimento subir 6 pontos percentuais, para 19,8%.
A margem bruta da companhia no 2T26 foi de 18,3%, e a líquida, de 4,6%, ambas com queda em relação ao mesmo período do ano passado.