Um deslizamento de terra provocado por chuvas intensas matou ao menos 14 pessoas e feriu outras sete em um mosteiro no norte da Etiópia, onde centenas de fiéis participavam de um ritual de água benta. O barro, as pedras e os destroços avançaram sobre a área de oração em poucos instantes, transformando um momento de recolhimento em tragédia.
O acidente ocorreu no mosteiro Tsadqane Debre Mitmaq St. Mary, na região de Amhara, por volta das 7h da manhã, segundo autoridades locais. Parte das vítimas estava reunida em busca de alívio para doenças crônicas, uma cena que expõe como a promessa de cura e a vulnerabilidade física frequentemente caminham juntas em regiões marcadas por risco geológico.
Além dos mortos e feridos, há pessoas desaparecidas sob os escombros. Equipes de resgate seguem no local, enquanto os feridos graves foram levados para atendimento em Debre Birhan, a cerca de 70 quilômetros do mosteiro. O cenário é de luto, mas também de busca, com famílias tentando identificar corpos e entender a extensão da perda.
Mais do que um episódio isolado, a tragédia recoloca em debate a convivência entre fé, ocupação de áreas de encosta e ausência de infraestrutura adequada. Na Etiópia, deslizamentos e enchentes se repetem com frequência durante a estação chuvosa, e o problema se agrava onde prevenção, drenagem e resposta emergencial continuam insuficientes. Quando a natureza cede, não é apenas a terra que desaba: é a ideia de que o perigo está sempre longe do altar.
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