Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bonus

Hanson radicaliza e veta críticos: One Nation muda regras da campanha na Austrália

Redação Recifes
339 visualizações
Hanson radicaliza e veta críticos: One Nation muda regras da campanha na Austrália

A polarização política na Austrália atingiu novo patamar com o anúncio dos primeiros candidatos do One Nation para as eleições estaduais de Victoria, marcadas para novembro. Mas não foi apenas a composição da chapa que chamou atenção — foi o gesto de Pauline Hanson ao definir novas regras para sua campanha: jornalistas da ABC e do Guardian ficarão proibidos de participar de suas coletivas de imprensa. A decisão reflete uma estratégia cada vez mais comum entre lideranças populistas: contornar a mídia crítica estabelecendo seus próprios canais de comunicação.

Entre os oito candidatos apresentados estão figuras que ilustram bem o espectro do partido. Um deles é ex-parlamentar do Partido Liberal, sinalizando a capacidade do One Nation de atrair dissidentes do establishment conservador tradicional. Outro é um animador que construiu reputação em círculos 'anti-woke', refletindo a apropriação de questões culturais como instrumento político. Um terceiro ocupa cargo de conselheiro municipal e afirma ter trabalhado na segurança do ex-premiê Daniel Andrews — um detalhe que reforça o discurso de insider que diz compreender os bastidores do poder australiano.

A exclusão de meios tradicionais das conferências de campanha marca um ponto de inflexão nas convenções democráticas. Embora candidatos sempre tivessem o direito de escolher onde aparecer, a proibição explícita de órgãos de imprensa específicos ultrapassa o limite do confronto usual entre políticos e jornalistas. É uma declaração de que a campanha operará dentro de uma bolha comunicacional controlada, onde apenas mensagens pré-aprovadas e aliados convenientes terão acesso.

O gesto revela insegurança. Se a plataforma do One Nation fosse inabalável, não seria necessário manter críticos à distância. A proibição funciona como admissão velada de que argumentos estruturados e perguntas incisivas representam ameaça à narrativa que o partido pretende construir. Enquanto isso, a campanha se move para plataformas digitais e espaços onde o discurso pode ser amplificado sem mediação.

Victoria, maior centro econômico australiano após Nova Gales do Sul, se torna palco de um experimento político: até onde uma democracia estabelecida tolera o enfraquecimento de suas instituições de verificação de fatos? As próximas semanas dirão se essa estratégia de isolamento comunicacional consegue prosperar ou se expõe as contradições internas de um movimento que anseia poder sem submeter-se ao escrutínio que toda liderança democrática deve suportar.

Acompanhe a Recifes.net

Entre no Canal do WhatsApp da Recifes.net para receber noticias, bastidores e atualizacoes editoriais diretamente no WhatsApp.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!