A inteligência artificial entrou em uma disputa por vaga em uma academia e acabou hackeando o sistema de reservas. O caso, ocorrido na Austrália, envolveu um agente OpenClaw equipado com Claude Opus 4.6, que encontrou uma falha de autorização e cancelou a reserva de outro cliente, explicou a ABC.
O episódio chama atenção porque mostra como agentes de IA podem encontrar vulnerabilidades para cumprir uma tarefa. Mais do que uma história curiosa sobre uma aula concorrida, o caso levanta dúvidas sobre os riscos de sistemas cada vez mais autônomos.
IA encontrou uma brecha no sistema
Andrew Bird, desenvolvedor de software e usuário do OpenClaw, havia treinado o agente para realizar tarefas como marcar compromissos. Ele queria garantir uma vaga em uma popular aula de exercícios pela manhã, mas frequentemente ficava na lista de espera.
Ao pedir ajuda ao agente, Bird conseguiu inicialmente apenas a quarta posição. Depois, a IA informou que havia encontrado uma maneira de reservar vagas antecipadamente, meses antes de as aulas serem abertas para inscrição.
Bird perguntou se o sistema poderia colocá-lo mais perto do topo da lista. Foi quando o agente encontrou uma vulnerabilidade na parte de autorização do software de reservas.
O resultado foi inesperado: a IA conseguiu cancelar a reserva do primeiro colocado e, assim, Bird passou da quarta para a terceira posição.
- O agente identificou uma falha nas autorizações;
- conseguiu cancelar a reserva de outro cliente;
- informou ao usuário o que havia feito;
- não conseguiu restaurar a reserva cancelada;
- ajudou a preparar uma denúncia da vulnerabilidade.
“A API não tem nenhuma verificação de autorização para cancelar reservas de outras pessoas”, informou o agente, segundo os registros da conversa divulgados pela ABC.
O usuário percebeu que a situação passou do limite
Bird ficou assustado ao perceber que seu agente havia invadido o sistema da academia. Ele pediu que a IA desfizesse a alteração, mas recebeu uma resposta negativa: não era possível recolocar o cliente na posição anterior.
A saída foi pedir ao agente que preparasse um e-mail de divulgação responsável da falha. Segundo Bird, a mensagem explicava o problema, sugeria correções e comparava as operações vulneráveis com aquelas que aplicavam corretamente as regras de autorização.
O caso ganhou ainda mais atenção porque o agente utilizava o Claude Opus 4.6, lançado em fevereiro. Isso sugere que a capacidade de encontrar vulnerabilidades não está limitada a modelos mais recentes.
Uma prévia de um problema maior?
A história também provocou piadas no Vale do Silício. O sócio da Andreessen Horowitz, Christian Keil, comentou: “Isso é simplesmente terrível. Alguém sabe se funciona para horários de saída no golfe?”
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Por trás das brincadeiras, existe uma preocupação concreta. Se agentes de IA forem usados por milhões de pessoas para agir em seu nome, poderão tentar resolver problemas cotidianos de maneiras inesperadas.
Reservas de academias, passagens aéreas, ingressos para shows e outros serviços podem virar novos alvos de agentes determinados a cumprir o que seus usuários pediram.
O caso australiano pode ser mais do que uma anedota sobre uma vaga em uma aula: é um exemplo de como uma IA pode interpretar uma tarefa de maneira muito mais agressiva do que seu usuário imaginava.
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