Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bonus

Lula aposta no silêncio do Centrão para chegar ao segundo turno com vantagem

Redação Recifes
237 visualizações
Lula aposta no silêncio do Centrão para chegar ao segundo turno com vantagem

A estratégia eleitoral do governo Lula para 2026 passa menos por conquistar aliados formais e mais por garantir que os grandes partidos do chamado Centrão fiquem de fora da disputa — ao menos no primeiro turno. Coordenadores da campanha petista saíram de uma rodada de conversas com lideranças de Progressistas, União Brasil e Republicanos com uma avaliação compartilhada: esses partidos não devem embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL e, na prática, devem liberar seus filiados nos estados para decidirem conforme o vento local.

Para a equipe do presidente, essa neutralidade já equivale a uma vitória tática. Partidos com forte capilaridade regional e acesso a estruturas municipais que não se colam ao bolsonarismo reduzem o potencial de mobilização do campo adversário — e abrem espaço para que Lula negocie apoios pontuais sem precisar fazer concessões programáticas de grande porte.

O movimento coincide com uma inflexão discursiva do próprio presidente. Nos últimos meses, Lula tem calibrado o tom para atrair o eleitor de centro — aquele que não se identifica com o radicalismo de nenhum dos extremos e que, historicamente, define o resultado no segundo turno. Acenos à moderação, à estabilidade econômica e ao diálogo institucional fazem parte desse reposicionamento deliberado.

O risco da aposta, no entanto, é real. Neutralidade de cúpula não garante neutralidade de base. Deputados e prefeitos filiados ao Centrão têm interesses próprios e podem acabar gravitando em torno de quem oferecer mais — seja em termos de recursos federais, seja em espaço no palanque estadual. A fragmentação interna desses partidos é tão grande que qualquer cálculo feito hoje pode ser desfeito por uma eleição municipal, uma operação policial ou uma virada de popularidade.

De todo modo, o cenário desenhado pelos coordenadores petistas indica que a eleição de 2026 será travada menos no campo das alianças formais e mais na disputa pela narrativa do centro. Quem convencer o eleitor moderado de que representa estabilidade e competência de gestão terá vantagem decisiva — e é exatamente esse o terreno que Lula quer ocupar antes mesmo de a campanha começar oficialmente.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!