Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bonus

Novo telescópio espacial da NASA pode detectar asteroides mortais

Redação Recifes
106 visualizações
Novo telescópio espacial da NASA pode detectar asteroides mortais
Foto: john mckenna / Pexels

A NASA deve lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos, no fim de agosto. Seu objetivo é nos ajudar a compreender melhor como o universo funciona, desde a matéria escura, semelhante a uma cola, que mantém as galáxias coesas, até a elusiva energia escura, responsável por impulsionar a expansão do cosmos. Mas o Roman também pode cumprir outra função: defender a Terra de asteroides mortais. Em setembro, uma equipe de cientistas planetários e astrônomos de várias instituições vai detalhar como o equipamento está em uma posição singularmente favorável para rastrear essas rochas e fornecer informações sobre suas trajetórias, tamanhos e composições.

Batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da agência espacial norte-americana, o Roman é equipado com uma câmera infravermelha de 300 megapixels e campo de visão superamplo, o que lhe permite observar uma grande região do espaço de uma só vez, cerca de cem vezes maior do que é possível com o Telescópio Espacial Hubble. Isso permitirá que ele descubra milhares de novos planetas e dezenas de milhares de estrelas em explosão, além de examinar mais de um bilhão de galáxias com um nível extraordinário de detalhes.

Ao fazer isso, ele estará olhando “através” do nosso Sistema Solar, e é justamente isso que o coloca em uma posição diferenciada para detectar asteroides.

Uma guinada para a defesa planetária

O Roman não foi construído para esse propósito, mas, no verão passado, foi (mais uma vez) ameaçado por cortes significativos de financiamento pela administração Trump. “Meu colega Rick Cosentino, [cientista planetário da NASA], me disse em julho de 2025 que precisávamos mostrar o que o Roman pode fazer pela defesa planetária como forma de aumentar ainda mais a visibilidade da missão entre legisladores e contribuintes”, afirma Bryan Holler, pesquisador do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, em Baltimore.

A proposta de Holler e seus colegas, que será apresentada no Congresso Científico Europlanet, em Haia, revela que o enorme campo de visão do Roman e sua capacidade de observação no infravermelho permitem detectar pequenos asteroides com até 18 metros de comprimento. Isso é comparável ao asteroide que explodiu sobre a cidade russa de Chelyabinsk, em 2013, liberando uma força equivalente a 500 mil toneladas de TNT e levando 1.500 pessoas ao hospital.

O software do Roman precisará de alguns ajustes para detectar rochas espaciais. O telescópio, da forma como foi projetado, observará através do Sistema Solar, e para além dele, a fim de obter as imagens mais nítidas possíveis do restante do universo. “Os rastros, sejam causados por raios cósmicos, falhas ou asteroides, são detectados pelo software e descartados”, afirma Andy Rivkin, cientista planetário e pesquisador de defesa planetária do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Maryland. Mas os astrônomos poderiam analisar esses rastros e selecionar aqueles que identificassem como asteroides.

Mesmo com esses possíveis ajustes, o Roman não será, por si só, um prodígio na descoberta de asteroides. Sua força está na capacidade de complementar o Telescópio Espacial James Webb, outro observatório construído para observar galáxias e estrelas nos confins do universo. Ele também consegue se concentrar intensamente em um único asteroide quando necessário, como fez no ano passado, desempenhando um papel fundamental no acompanhamento do 2024 YR4, que por um breve período foi o asteroide mais perigoso já descoberto. “Mas o campo de visão do Roman é muito maior”, afirma Rivkin.

Isso significa que ele poderia observar vários asteroides considerados suspeitos muito rapidamente. “O Roman pode fornecer observações no infravermelho de mais asteroides do que o Webb poderia esperar observar em um período razoável de tempo de observação”, afirma Holler.

Se esses asteroides forem considerados viajantes inofensivos, podemos ficar tranquilos. Mas, se houver a possibilidade de colidirem com a Terra, outros telescópios poderão fazer observações de acompanhamento com base nas detecções do Roman. Essas observações podem fornecer aos especialistas as informações necessárias para avaliar os prováveis danos de um futuro impacto de asteroide ou para lançar uma missão destinada a tentar desviar um asteroide.

“O Roman vai observar um volume tão grande do cosmos que há muito sabemos que ele oferecerá vastas oportunidades para uma série de estudos científicos adicionais”, afirma Alise Fisher, responsável pela comunicação de astrofísica na sede da NASA, em Washington.

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA e seus parceiros em todo o mundo estão preocupados principalmente com asteroides de 140 metros de comprimento ou mais. Estima-se que cerca de 25 mil deles tenham órbitas próximas à Terra, e pouco mais da metade ainda não foi encontrada. Se um deles atingisse uma cidade, grande parte dela seria destruída ou sofreria danos irreversíveis em um instante. Os astrônomos estimam que também existam cerca de 230 mil asteroides de 50 metros de comprimento orbitando perto da Terra, e menos de 10% deles foram localizados. O impacto de um deles em uma cidade talvez não a aniquilasse, mas liberaria uma força comparável à de uma grande bomba atômica, embora sem a radiação.

Em teoria, um asteroide desse tipo poderia ser desviado, com o impacto deliberado de uma espaçonave contra ele, ou vaporizado, talvez com o uso de uma arma nuclear. Mas os responsáveis pela defesa planetária primeiro precisam saber onde esses asteroides estão, e é por isso que a NASA financia uma rede de telescópios terrestres projetada para procurá-los. Eles funcionam bem, mas há um limite para a quantidade do céu noturno que conseguem observar, e a atmosfera da Terra ainda atrapalha essas observações.

É por isso que a NASA vai lançar, em 2027, o telescópio espacial Near-Earth Object Surveyor. Ao se posicionar entre a Terra e o Sol, ele encontrará muitos asteroides difíceis de detectar que os telescópios terrestres não conseguem ver. E, ao contrário de muitos outros instrumentos dedicados à busca por asteroides, ele observará no infravermelho, e não na luz visível. As rochas não apenas aparecem com mais clareza, como observá-las dessa forma permite aos cientistas obter uma estimativa consideravelmente melhor de seu tamanho. Em questão de anos, ele poderá encontrar 90% dos asteroides em órbitas próximas à Terra com tamanho suficiente para destruir uma cidade.

Trabalho em equipe entre telescópios

O Surveyor é explicitamente um observatório de defesa planetária. Mas trabalhará em conjunto com outros telescópios cujas missões têm objetivos mais voltados à pesquisa científica, incluindo o Roman e o Webb, ambos convenientemente equipados com instrumentos infravermelhos, além do Observatório Vera Rubin, que acaba de iniciar seu levantamento de dez anos de todo o céu noturno a partir do topo de uma montanha no Chile. Como parte de seu inventário do cosmos, espera-se que ele descubra 89 mil asteroides próximos à Terra.

Veja como todos eles poderiam trabalhar juntos. Suponha que o Surveyor detecte um asteroide que, a julgar por algumas observações, tenha alguma chance de atingir a Terra. Em seguida, ele encontra outros cinco semelhantes. Essas observações iniciais deixam muita incerteza sobre suas órbitas. O Roman, com seu enorme campo de visão, poderia ser direcionado para observar a região do céu noturno que inclui todos esses asteroides e, em questão de dias, poderia melhorar a precisão em várias ordens de grandeza.

O Roman também ocupa uma região do espaço diferente daquela em que estão tanto o Surveyor quanto o Observatório Rubin. “Esses ângulos de observação ligeiramente diferentes também ajudarão a determinar as órbitas com mais rapidez do que se todos os objetos estivessem observando a partir do mesmo lugar”, afirma Holler.

Talvez se descubra que cinco desses asteroides potencialmente perigosos não têm nenhuma chance de colidir com a Terra em um futuro previsível. Um deles, porém, talvez não possa ser descartado, e é nesse momento que outros telescópios poderiam ser acionados para localizá-lo e estudá-lo mais a fundo.

“Os recursos dos telescópios, seja no espaço ou em solo, costumam ter uma demanda maior do que sua disponibilidade e não estarão acessíveis para acompanhar todos os [asteroides próximos à Terra] com probabilidade de impacto diferente de zero quando forem descobertos pela primeira vez”, afirma Holler. O Roman, portanto, ajudará os cientistas a “garantir que façamos o acompanhamento dos alvos corretos”.

O instrumento infravermelho do Roman também permite obter uma boa estimativa do tamanho de um asteroide e pode até indicar se ele é uma rocha pedregosa, uma rocha porosa e rica em carbono e água ou uma rocha metálica. “Isso, por sua vez, fornece fortes indícios sobre a composição e, consequentemente, sobre a densidade e a massa do asteroide, fatores importantes para estimar os danos de um impacto ou, de maneira menos macabra, o esforço necessário para desviá-lo de sua órbita atual”, afirma Holler.

O Roman não terá o papel principal na proteção da Terra da mesma forma que o Surveyor. Mas, enquanto procura supernovas e planetas que orbitam outras estrelas, também fará sua parte para proteger todos nós, 8 bilhões de pessoas, de uma catástrofe cósmica.

O post Novo telescópio espacial da NASA pode detectar asteroides mortais apareceu primeiro em MIT Technology Review - Brasil.

Artigo originalmente publicado em mittechreview.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!