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Patricia Bonaldi: como a PatBo conquistou Nova York e o mercado de luxo

Redação Recifes
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Patricia Bonaldi: como a PatBo conquistou Nova York e o mercado de luxo

Às vésperas de completar 25 anos de marca, a estilista fala sobre expansão internacional, Nova York, bordados e os caminhos que transformaram a PatBo em um negócio global. Foto: Pedro Bucher

“Timing é uma das minhas melhores qualidades”, garante. “É realmente muito natural. Já deve ter dado errado, mas, normalmente, eu acerto.” É um instinto que se provou (mais uma vez) em setembro passado, na hora de balizar uma coleção às vésperas de virar assunto na semana de moda de Nova York.

“Falei que ia aproveitar o momento de ódio contra os imigrantes latinos e fazer o meu statement”, conta sobre Latin Soul, seu desfile de verão 2026 com bordados, franjas e referências oitentistas. Por pouco, os 38 looks anteciparam o boom da latinidade encabeçada pelo furacão Bad Bunny.

Seu golpe de timing mais ousado, porém, não tem a ver com desfile, mas com sua assinatura. Há pouco mais de 15 anos, ela decidiu escondê-la. “O nome ‘Patricia Bonaldi’ vai envelhecer, é natural. Já ‘PatBo’ não vai envelhecer nunca. É forever young! Consigo remodelar a marca da maneira que quiser.” Poucas marcas têm coragem de liquidar o próprio nome-fundador no auge… Normalmente, elas morrem agarradas ao dono. Patricia preferiu o enterro em vida.

“Foi uma pequena loucura, mas deu mais do que certo. Tenho zero apego e fiz sem dor alguma.” Valeu a pena. Hoje, a PatBo vende em mais de 30 países, é a única brasileira a desfilar em NY e a primeira a fazer um takeover a convite do hotel Four Seasons: em janeiro passado, tropicalizou o rooftop da unidade de Miami com uma estampa feita à mão. O que era para durar três meses, agradou tanto que vai ficar até o próximo verão – e abriu conversas com outras unidades da rede. Recentemente, seu universo de lifestyle ainda abriu pop-ups em Portofino e Saint-Tropez. Ela explica: nos últimos três anos, as vendas na Europa triplicaram!

Às vésperas de completar 25 anos de marca, a estilista fala sobre expansão internacional, Nova York, bordados e os caminhos que transformaram a PatBo em um negócio global. Foto: Reprodução

Só que há duas Patricias – e ela sabe disso melhor do que ninguém. Existe a que assina campanha, atende jornalista e posa com naturalidade para o conteúdo porque “é bom para o negócio”. E existe a que preferiria ficar invisível: “eu gosto do produto e de quem faz o produto. Sou mais estrategista do que personagem”, diz quase se desculpando.

Seu time discorda. Aliás, garante que, quanto mais Patricia Bonaldi veste PatBo, mais as vendas crescem. Por vezes, ela acaba cedendo: “Não menosprezo o efeito porque sei que faz bem para o business. Mas se eu pudesse fazer menos, eu faria”.

Pode soar contraditório para quem vê de fora, mas a mulher que construiu um império sobre a fantasia mais glamourosa possível insiste que seu mundo real fica é no chão de fábrica, com o cabelo amarrado e sem grandes maquiagens. Nos Jardins paulistanos, bate ponto presencial apenas uma vez por semana. Seu coração bate forte mesmo é no ateliê no Bom Retiro, com as costureiras, as modelistas, os rolos de tecido… É onde diz sentir que “estou fazendo o que tenho que fazer. Se eu estiver longe do produto, começo logo a entrar em pânico”.

Artigo originalmente publicado em harpersbazaar.uol.com.br
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