A Plinq, startup brasileira que permite checar antecedentes criminais de pretendentes amorosos, fechou sua primeira rodada de investimento, de R$ 1,3 milhão. O aporte foi liderado pela Spectra Investments, com participação de investidores-anjo como Anton Osika, cofundador e CEO da Lovable; Liana Selles, cofundadora da Ella Wealth; Fernando Montera, fundador e CEO da Doji; e José Gerardo Carrero, ex-diretor de TI da P&G.
Os recursos serão destinados ao lançamento do aplicativo mobile, previsto para o início de setembro, e à estruturação da equipe, atualmente com dez pessoas. “Esse será o nosso primeiro grande lançamento de produto”, diz Sabrine Matos, fundadora e CEO da Plinq, em entrevista ao Startups.
Fundada em meados de 2025, a empresa nasceu após um caso de feminicídio que expôs uma falha no acesso a informações públicas. O autor do crime, ex-namorado da vítima, respondia a pelo menos 14 processos por violência doméstica — um histórico que a jovem desconhecia durante o relacionamento.
Impactada pelo caso, a empreendedora decidiu criar uma plataforma web que reúne informações sobre antecedentes criminais e processos judiciais disponíveis em bases públicas, como tribunais de Justiça e diários oficiais. A primeira versão entrou no ar em apenas 45 dias, , permitindo que usuárias consultassem esses dados de forma simples e organizada.
A rodada é anunciada em uma data simbólica. Em 7 de agosto de 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Sancionada em 2006, a legislação é considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil e ampliou o conceito de violência para além das agressões físicas, passando a reconhecer também as violências psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Duas décadas depois, os dados da própria Plinq indicam que o problema continua presente. Segundo a startup, 10% dos alertas de risco identificados pela plataforma estão relacionados a registros de violência doméstica. Entre eles, foram contabilizadas 433 menções a medidas protetivas, 219 referências à violência doméstica, 161 registros diretamente relacionados à violência contra mulheres e 144 citações à Lei Maria da Penha.
Para realizar a consulta, basta informar o nome e o telefone da pessoa. A plataforma cruza esses dados com registros públicos e gera um relatório com os resultados encontrados. A proposta é permitir que mulheres verifiquem o histórico de potenciais parceiros antes de um encontro ou do início de um relacionamento.
Para Fernando Montero, fundador da Doji e investidor-anjo da Plinq, a combinação entre impacto social e capacidade de crescimento foi um dos fatores que motivaram o aporte. “O que primeiro me chamou atenção foi o tamanho e a urgência da dor. Vi casos reais de meninas que podem ter tido a vida salva por terem usado o produto. Ao mesmo tempo, em pouquíssimo tempo a empresa construiu métricas fortes e conseguiu distribuir a solução de forma eficiente, com comunidade, viralização e autoriedade, algo extremamente difícil no B2C”, afirma.
O que muda na Plinq
Com o lançamento do aplicativo, a Plinq deixará de vender consultas avulsas pelo site e passará a operar exclusivamente no modelo de assinatura mensal. Quem já é cliente da plataforma web poderá seguir utilizando o serviço por até um ano; após esse período, o acesso será descontinuado. O aplicativo será exclusivo para mulheres e contará com mecanismos de verificação, como reconhecimento facial, para tentar impedir o acesso de homens.
Além da assinatura, a empresa a aposta em receita publicitária — com espaço de anúncios voltado a marcas com público feminino — e em contratos com governos estaduais para fornecimento de tecnologia de prevenção à violência doméstica.
A expectativa é alcançar 1 milhão de usuárias ativas nos primeiros seis meses após o lançamento do app. A meta, embora ambiciosa, se apoia nos resultados da plataforma web. Lançada em junho de 2025, ela atraiu 3 mil usuárias no primeiro dia e registrou cerca de 10 mil cadastros nos dois primeiros meses. Em um ano de operação, a empresa ultrapassou 60 mil usuárias e contabilizou quase 85 mil pesquisas realizadas.
Para impulsionar esse crescimento, a startup prepara ações de relações públicas e eventos, além de apostar no modelo freemium para eliminar a barreira de pagamento no primeiro contato com a plataforma.
Próximos passos
Para 2027, Sabrine projeta duas frentes de expansão. A primeira é o fortalecimento do pilar comunitário, com uma funcionalidade que permitirá que usuárias alertem outras mulheres próximas em situações de risco durante um encontro. A segunda é a criação de uma área de experiências no app, conectando as usuárias a empresas que oferecem atividades voltadas ao público feminino, em um modelo que a empreendedora compara ao Airbnb Experiences.
A expansão internacional também está nos planos, com foco inicial nas brasileiras que vivem fora do país. A estratégia, segundo Sabrine, é validar o serviço no exterior junto a esse público antes de avançar para novos mercados.
O post Plinq capta R$ 1,3M para lançar app de segurança para mulheres apareceu primeiro em Startups.
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