Para quem espera que o Banco do Brasil (BBAS3) volte a ser uma máquina de dividendos logo, o recado do diretor financeiro, Geovanne Tobias, é claro: ainda não é hora de soltar o cinto.
“Talvez para aqueles investidores e acionistas que estão ansiosos para voltar a ver um payout do banco ali acima de 40%, não seja uma notícia tão boa. Mas para aqueles que estão mais preocupados na capacidade de crescimento do banco, sustentação dos negócios, a sustentabilidade do banco, sim, é um número bom”, afirmou o executivo, em video a investidores após o resultado do 2T26.
A fala ajuda a colocar em perspectiva um trimestre que trouxe sinais mistos para os acionistas.
De um lado, o lucro do Banco do Brasil voltou a crescer e veio acima das expectativas em lucro e rentabilidade.
De outro, a inadimplência e as provisões continuam pesando sobre o balanço — justamente o motivo que levou o banco a adotar uma política mais conservadora de distribuição de resultados.
Apesar disso, houve dinheiro novo a caminho da conta dos investidores. Após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), o BB anunciou aproximadamente R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), em uma remuneração complementar aos acionistas.
O valor bruto equivale a cerca de R$ 0,10245 por ação BBAS3.
Por que o Banco do Brasil ainda segura dividendos maiores?
Segundo Tobias, antes de voltar a acelerar a distribuição aos acionistas, o banco ainda precisa recompor o fôlego — e isso passa diretamente pela posição de capital.
Depois de um ciclo de deterioração do crédito rural, que elevou a inadimplência e obrigou o banco a reforçar as provisões, o Banco do Brasil decidiu trabalhar com um payout de 30% — bem abaixo dos 40% a 45% praticados em períodos mais favoráveis.
Em videocast divulgado após o balanço do 2T26, Tobias voltou a defender essa estratégia. Para ele, o nível atual de distribuição precisa ser analisado em conjunto com a necessidade de preservar capital e sustentar o crescimento da operação.
O Banco do Brasil encerrou o trimestre com capital principal de 11,27%, abaixo dos 11,59% registrados anteriormente, mas ainda próximo do nível considerado adequado pela administração.
“Os 11,27% mantêm-se em linha com o que a administração espera”, afirmou o CFO.
Enquanto o banco ainda carrega uma conta elevada de risco de crédito, preservar capital significa manter espaço para continuar emprestando, absorver eventuais perdas e, ao mesmo tempo, financiar a expansão de negócios que podem ajudar a diversificar o resultado.
Por isso, a discussão sobre um eventual retorno do payout para acima de 40% fica para depois.
“Passando esse momento de agravamento de risco de crédito, vai voltar novamente à pujança de geração orgânica de capital”, disse Tobias.
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