A fintech Ume acaba de levantar R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para ampliar a capacidade de concessão de crédito dos seus clientes. A empresa atua como uma infraestrutura terceirizada para empresas que querem oferecer crédito aos consumidores, oferecendo desde a plataforma, até análise de crédito e o acesso ao capital, tudo isso com inteligência artificial.
Em comunicado enviado ao mercado, a fintech informou que a demanda pelos investimentos nos FIDCs superou o volume ofertado. Entre as instituições que participaram da captação estão Itaú, Bradesco, XP (Augme), Milenio, Verde e Credit Saison.
A proposta da Ume é permitir que varejistas, marketplaces e empresas de serviços ofereçam crédito diretamente aos seus consumidores sem precisar construir uma operação financeira própria. A companhia assume a infraestrutura necessária para colocar esse produto de pé, enquanto cada parceiro define as condições e as regras de acordo com sua estratégia comercial.
Na prática, isso significa que uma loja pode incorporar uma opção de financiamento à própria jornada de compra. A análise do consumidor é feita pela tecnologia da Ume, que avalia individualmente o risco e pode definir, por exemplo, quem terá acesso ao crédito e qual limite será oferecido.
Segundo a companhia, o modelo pode elevar as vendas dos parceiros em até 15% e dobrar o lucro. A Ume estima ainda que os R$ 500 milhões recém-captados possibilitem gerar mais de R$ 1 bilhão em receita adicional para essas empresas.
Os FIDCs da nova operação foram estruturados e são geridos pela Milenio Capital, gestora especializada em crédito estruturado que acompanha a Ume desde o início. A captação atual acontece meses depois de a companhia levantar R$ 150 milhões em um outro FIDC concluído no início do ano.
A companhia espera movimentar R$ 2 bilhões em transações ao longo de 2026, considerando o ritmo atual da operação. Hoje, a Ume já está presente em 10 mil pontos de venda e atende cerca de 4 milhões de consumidores em todo o Brasil.
IA como infraestrutura
A inteligência artificial é usada pela Ume não apenas para analisar crédito, mas para automatizar diferentes etapas da operação. A plataforma trabalha com agentes de IA que atuam na concessão, precificação, cobrança e atendimento.
É essa arquitetura que, segundo a empresa, permite operar crédito em escala sem que cada varejista precise manter uma estrutura própria para administrar a carteira.
“Seria impossível oferecer o nosso nível de serviço, com a capacidade de precificação de crédito que entrega o ‘banco dos business’, de fim a fim, se não tivéssemos nascidos já nativos em IA”, afirma Theo Ramalho, cofundador da Ume, por meio de nota.
A companhia surgiu a partir de uma tese de doutorado em inteligência artificial aplicada ao crédito. O desenvolvimento da tecnologia é liderado pelo CTO Berthier Ribeiro-Neto, fundador da Akwan, empresa de buscas adquirida pelo Google, onde ele liderou a área de engenharia por 20 anos.
Para a Ume, a combinação de IA com acesso ao mercado de capitais é o que permite levar a infraestrutura financeira para negócios que já possuem uma base relevante de consumidores, mas não necessariamente teriam escala ou recursos para desenvolver uma operação de crédito internamente.
O post Ume levanta R$ 500M em FIDCs para ampliar crédito com IA apareceu primeiro em Startups.